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Crítica | Roda Gigante

postado por Carol Matheus

Woody Allen sabe como ninguém analisar e retratar como os seres humanos lidam com angústia, escapismo e rotina, porém diferente de Ingmar Bergman (cujo o diretor é um fã declarado) ele põe todas essas nossas inquietações com pitadas de bom humor. Em Roda Gigante não é diferente, o mais novo longa do diretor octogenário traz a história de Ginny (Kate Winslet) uma ex-atriz que trabalha como garçonete em Coney Island e vê sua vida entrar em colapso com a chegada da filha do marido e com o comportamento temperamental do filho criando força.

Sem dúvida nenhuma um dos pontos mais fortes do filme (e o que faz o filme elevar a um outro nível) é a fotografia do gênio Vittorio Storaro. Vittorio volta a fazer um trabalho magnifico com Allen e faz nossos olhos saltarem de tanta beleza. A escolha da iluminação vai de acordo com a narrativa, Storaro brinca durante os planos, trazendo uma iluminação avermelhada, quente as lembranças felizes de Ginny, e ao mostrar seu estado real de espírito essa luz se apaga, se torna azul, cinza, como a protagonista está se sentindo, porém o italiano não brinca só ai, a cor da iluminação tem um sentimento para cada personagem, enquanto para Ginny o azul remete a tristeza, para Carolina o azul vem com a esperança, com tudo o que há de novo e animador na sua vida.

Roda Gigante traz uma transmidialidade com o teatro, não só pelo fato do narrador Mickey (Justin Timberlake) ser uma dramaturgo à procura de uma obra prima enquanto trabalha como salva-vidas, tem a questão da iluminação claro, mas acima de tudo tem as escolhas dos cenários, dos planos. São poucos ambientes, cenários simples, onde a câmera varia pelos movimentos e não pelos planos. Os ambientes se tornam menores, sufocantes dando todo o ar de claustrofobia que Ginny está sentindo.

A atuação de Kate Winslet (provável indicação ao Oscar) é um vulcão pronto pra erupção e sobressai da tela, a força da sua Ginny e muito maior do que o próprio roteiro do longa, a química de Kate com Jim Belushi (que volta as telas com força total) é incrível, além de retratarem as insatisfações de seus personagens primorosamente.

Porém o longa conta com alguns defeitos, que parecem da ao diretor o mesmo cansaço que sua protagonista relata. O filme se inicia com uma narrativa off com ótimos comentários sobre os personagens e de repente ela desaparece, a falta de espaço para Richie, filho de Ginny, que é um personagem riquíssimo porém fica transitando em cenas como motivo de um dos problemas de Ginny, mas a falta de aprofundamento dele fica parecendo uma falta do que saber fazer com o personagem. Um outro núcleo que ao meu ver ficou quase que inexistente e é apontado como parte do clímax e trama principal é o núcleo dos gângster, que conta com Tony Sirico e Steve Schirripa (Família Soprano) que fazem uma pequena (quase mínima) participação e poderiam ter sido mais bem explorados. Com tudo Roda Gigante apresenta sim defeitos, porém suas qualidades o elevam e mostram um belíssimo filme, além de uma genuína diversão garantida.

Confira o trailer:

Roda Gigante chega aos circuitos nacionais em 28 de dezembro.

Confira a crítica de Café Society e outras críticas, além de conferir o vídeo sobre Crisis in Six Scenes.

Sobre o autor

Carol Matheus

Crítica, Redatora, Social media
Apaixonada por cinema e toda sua história e composição, viciada em redes sociais, amante de fotografia analógica e uma formação baseada em séries.

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