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[Critica] – Rogue One: Uma História Star Wars

postado por Pedro Lasneaux

Universo Star Wars em Desencanto

A sequencia inicial de Rogue One já mostra a que o filme veio. Ela não tem os elementos de fantasia de todas as outras aberturas, sejam lutas de sabre, batalhas épicas no espaço ou em planetas inóspitos ou um cara todo vestido de preto matando soldados com o poder da mente. Começa tenso, com Galen Erso (Mads Mikkelsen), antigo cientista do império, tentando ao máximo impedir que sua familia seja capturada pelas forças imperiais, enquanto sua filha Jyn (interpretada quando adulta por Felicity Jones)busca algum refugio.

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Esse é o grande tom do filme. A fantasia fica para cenas pontuais, mais de fanservice, mas chegaremos lá mais a frente. Pela primeira vez vemos uma aura opressora no universo Star Wars, pela primeira vez compreendemos porque o universo criado por George Lucas e expandido pelos inumeros fãs é uma distopia, uma realidade decadente em que forças politicas antagonicas estão em eterno conflito. Esqueça os maniqueismos representados por Jedis e Siths, pelo conflito entre o bem e o mal. Aqui temos pessoas que lutam pela liberdade e uma ditadura militarista e, como todo regime autoritário, pouco preocupado com as vidas que eles controlam. Os Rebeldes não são os soldados do bem, os paladinos da moral, são uma massa amorfa de correntes políticas, ora mais pacifistas, ora mais beligerantes; ora valorizam o diálogo, ora partem para a batalha, não importando o quão nocivas sejam as suas ações. O Império, igualmente, não é só formado por déspotas, mas igualmente por pessoas sem escolha, instrumentalizadas como engrenagens para atingir objetivos maiores. Essa maturidade no momento de abordar elementos clássicos da trilogia antiga (ou original) é realmente o núcleo forte do enredo, embalado por uma trama tensa, sombria e avassaladora. Porém, é com o fanservice na medida certa, nos momentos oportunos, que o filme se destaca. É o melhor fanservice da história do cinema, sem tirar nem por, entregando para as legiões que lotam os cinemas personagens clássicos, frases celebres, referencias espetaculares e, em especial, um final apoteótico para uma história que já merecia aplausos. Como diz o poeta: “sou fã, quero service”. O diretor Gareth Edwards ao que tudo indica entendeu o recado das massas.

Para além dos méritos narrativos, os méritos técnicos são soberbos. É o filme mais belo de toda a franquia, com enquadramentos que mais parecem pinturas, jogos de câmera de tirar o folego e cenas de ação executadas com perfeição. A direção de Edwards é segura, assim como é evidente o seu diálogo com os diretores de fotografia e edição para alcançar o melhor produto possível. Os efeitos especiais estão melhores que nunca, a uniao entre efeitos práticos e efeitos de CGI é simplesmente espantosa, as cenas de ação realmente são vibrantes. Falando em CGI, o apuro técnico da equipe de efeitos é tamanho, capaz até de trazer a vida um certo ator que infelizmente não está mais entre nós (sem contar uma outra surpresa).

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Mas nem tudo são flores nessa História de Star Wars. O filme peca bastante quanto aos personagens. Felicity Jones como Jyn e Diego Luna como Cassian, os protagonistas do longa, não convencem, especialmente o segundo. Suas histórias de vida caem em clichês e as atuações não transmitem emoção, muito menos carisma, algo que sempre foi o ponto forte da saga. Em nenhum momento você consegue ter empatia com os dois, são apenas meros joguetes da força narrativa, são engolidos por ela. Para piorar, a quimica entre eles é muito fraca. O vilão, General Krennic, até tem uma interpretação bem segura por parte Ben Mendelhosson, porém não deixa de ser cartunesco ao extremo. Nesse ponto o que salvam são os coadjuvantes, bem carismáticos e que remetem aos arquétipos clássicos que inspiraram Lucas na criação do universo, como o dróide imperial interpretado por Alan Tudyk, que serve como alívio comico, e o monge cego interpretado por Donnie Yen, uma referencia clássica aos filmes de samurai dos anos 60.

Portanto, apesar das falhas pontuais, Rogue One não deixa de ser um dos melhores filmes do ano e da saga Star Wars. A nova luz que ele lança sobre esse universo, uma luz mais realista, mais sobria e menos fantástica é igualmente poderosa, mostra a força de uma franquia já consolidada no imaginário popular de se reinventar. Ao mostrar o desencanto dessa galáxia muito distante, Rogue One mostra que é possível se empolgar pelas diversas possibilidades que a mesma tem a oferecer.

Sobre o autor

Pedro Lasneaux

Crítico
Conhecido como Pedrao e Lax. Apaixonado por cinema, quadrinhos, filosofia, literatura,desenhos animados e anime, quer ser o novo José Wilker e comentar o Oscar na TV.

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