Análise Cinema

[Crítica] Procurando Dory

postado por Pedro Lasneaux

CRÍTICA – PROCURANDO DORY

O Poder do Carisma

Procurando Nemo, de 2003, é, indubitávelmente, um marco na história da Pixar. A grande aventura do peixe-palhaço Marlin em busca de seu filho Nemo não só é uma epopeia clássica e um grande estudo de animação ao retratar a beleza do fundo do mar e suas fantásticas criaturas (que ganharam personalidade e graça), mas é quase uma viagem filosófica de busca de si mesmo e de fibra interior, tanto de Marlin quanto Nemo, em que a jornada é muito maior que o destino. Entretanto, uma simpática e carismática personagem roubou a cena e o coração dos espectadores, a peixe com perda de memória recente Dory. Assim, quando uma sequencia do filme foi anunciada com ela tomando o lugar como protagonista, muita gente ficou com grandes expectativas.

Insta salientar que Dory, que tinha tudo para ser um simples alívio cômico, sempre foi mais que isso. Sua filosofia de vida (ou ausência de filosofia) extremamente otimista e inocente a tornavam uma personagem destemida, sempre buscando a solução para problemas da forma mais simples (ou louca) possível. Acaba sendo uma inspiração para os peixes protagonistas, especialmente Marlin, que descobre que muitas vezes a solução não está na racionalidade plena, mas sim em largar a sua zona de conforto e enfrentar o mundo e os perigos de peito aberto (fato esse lembrado pelo personagem em vários momentos do novo filme). Além disso, não deixa de ser uma grande companheira e uma das forças que tornaram o filme um sucesso.

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Na nova animação, a cirurgiã-patela azul mais querida da ficção acaba se lembrando de seu passado e de seus pais, e decide partir em sua busca, apesar dos protestos de Marlin.O grande mérito da narrativa é, apesar de repetir a fórmula de caçada, encontros e desencontros do filme anterior; conseguir prender o espectador colocando cenas do passado de Dory sempre que essa encontra algo que remete ao seu passado, mostrando não só o carinho dos seus pais para com ela assim como a compreensão extremamente humana dos mesmos com os problemas de memória da mesma; criando um verdadeiro quebra-cabeças narrativos a ser completado com o andar do filme. Novos personagens carismáticos como o polvo Hank e a tubarão-baleia Destiny se juntam a antigos companheiros nessa jornada pelos meandros da memória, o mar aberto e um parque aquário. Tudo isso pautado por uma animação ainda mais bela e apurada que do filme anterior, com cores extremamente vivas e bons usos de técnica cinematográfica, a exemplo da câmera em primeira pessoa para transmitir tensão.

Assim sendo, ao valorizar o carisma e a força de sua personagem muito além de sua carga cômica, a Pixar consegue mais um acerto, transmitindo belas mensagens sobre a valorização da família e a compreensão das deficiências e dificuldades de outros. Se é melhor ou pior que o filme original cabe ao expectador sopesar e analisar, porém é um excelente filme, com uma energia muito positiva e uma ode ao otimismo, assim como um deleite visual. A força de Dory, certamente, é tão grande quanto o  oceano que ela habita.

Sobre o autor

Pedro Lasneaux

Crítico
Conhecido como Pedrao e Lax. Apaixonado por cinema, quadrinhos, filosofia, literatura,desenhos animados e anime, quer ser o novo José Wilker e comentar o Oscar na TV.

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