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[Crítica] X-Men: Apocalypse

postado por Pedro Lasneaux

A balada dos personagens ocos

O primeiro X-Men foi um marco importante para os filmes de super-heroi, mostrou o interesse do grande público para o gênero e tratou com uma mistura de seriedade e clima aventuresco a hitória envolvendo os personagens. A seqüencia foi igualmente um sucesso de público e crítica, pois ampliou o debate da exclusão e preconceito que envolvem os mutantes. O problema foi o terceiro filme, já sem Bryan Singer, o idealizador dos outros dois, que se mostrou

um blockbuster barato, um amontoado de cenas de ação sem muita profundidade. Isso demandou um reboot na franquia, com os olhos voltados ao passado, mostrando não só as origens do grupo, mas o debate ideológico entre Magneto (Michael Fassbender) e Charles Xavier (James McAvoy) no ótimo Primeira Classe de Matthew Vaughn, cuja sequencia, Dias de um Futuro esquecido, marcou a volta de Bryan Singer a franquia e também é um bom filme, tendo grande sucesso de público e crítica (apesar de ser um pouco confuso na abordagem de viagem no tempo).

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Eis que veio o recente Apocalypse, que conta o embate dos X-Men com En Sabar Nun, o Apocalipse (Oscar Isaac), acorda nos anos 80 e decide destruir a humanidade e criar um mundo só para mutantes. E… é isso que trata o filme. A boa e velha trama maniqueísta de bem VS mal, sem nada mais que isso. No entanto a trama é lenta, demora a se desenrolar, fica apresentando muitos personagens (no entanto, como apontarei  a seguir, sem desenvolvê-los) e enrola muito até o clímax que parece mais uma produção antiquada, como cenário barato, efeitos pobres, ação pessimamente executada e que não empolga, cheia de Deus Ex Machina que não fazem o menor sentido. O que é mais triste ainda quando no incio do filme se vêem bons efeitos e. O filme é um retrocesso em termos de enredo e execução, parece algo chupado dos anos 90, quando não se tinha muita preocupação com história e mais com pirotecnia.

Os personagens, no entanto, reside a maior falha do filme. Tirando Apocalipse, que como já dito, quer destruir o mundo conhecido, e Magneto, que se une a ele graças a seu ódio pelos humanos não-mutantes e suas crueldades, nenhum dos outros  tem motivações ou personalidades minimamente desenvolvidas, sejam personagens já conhecidos ou novos. São apenas peças para a ação mau executada, e não fazem nada interessante. O elenco plural e estelar é totalmente desperdiçado com cenas pobres e nunca se explica porque eles estão ali, ou porque escolhem lutar de um lado ou de outro. Tempestade, Psylocke, Ciclope, Noturno e outros acabam só tendo uma função estética no filme, sim, personagens tão interessantes são mostrados sem qualquer alma ou motivação, apenas são instrumentos para a pobre pirotécnica de Bryan Singer. Não tem como analisar a atuação de qualquer um, é tudo tão mecânico e voltado pra ação que tanto faz quem está encarnando o personagem. O pior de tudo é no entanto, a subversão de Mística em nome de Jennifer Lawrence, transformando a tradicional vilã em uma heroína genérica e desinteressante, além da equivocadíssima atuação de sua intérprete (logo ela que conseguiu desenvolver bem os dilemas da personagem nos  filmes anteriores).

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Obviamente, alguns pontos são positivos: a parte artística capricha na caracterização dos mesmos, Oscar Isaac está seguro como o vilão e sua representação como mutante superpoderoso é bem feita (aquele papo de vilão de Power Rangers cai por terra, o Apocalipse é realmente o ponto alto da película), e, mesmo com um roteiro pobre, McAvoy e Fassbender mostram porque foram ótimas escolhas para seus personagens e mandam bem. Mas quem rouba a cena de novo é Mercúrio e seu ator Evan Peters, tendo a melhor atuação como alívio cômico e as cenas de ação mais bem feitas e bem executadas.

Enfim, Apocalypse é realmente uma hecatombe cinematográfica e joga por terra os bons esforços que a franquia vinha fazendo para se reinventar depois de First Class. Bryan Singer optou pelo genérico. É um filme de ação como qualquer outro, poderiam trocar os nomes do personagens por outros desconhecidos que ele seria a mesma coisa, igualmente vazio, sem alma. Se Batman VS Superman foi salvo de ser uma obra muito pior pelo carisma, força e background de seus personagens; esse X-men faz exatamente o contrário e descarta no lixo uma gama de personagens de peso em nome de meros instrumentos em nome da ação e do roteiro fraco. É uma regressão do próprio diretor, que vinha fazendo um bom trabalho a frente da franquia, era respeitado, e mesmo assim cometeu erros primários na execução e entregou o pior filme da franquia de longe. Por mais que O Confronto Final seja pobre ele ainda valorizava aqueles que comandam o show, os personagens, essas figuras inabaláveis, a grande alma desse gênero tão lucrativo. Ao testemunharmos a morte da função do personagem, temos o ocaso de uma boa franquia.

Sobre o autor

Pedro Lasneaux

Crítico
Conhecido como Pedrao e Lax. Apaixonado por cinema, quadrinhos, filosofia, literatura,desenhos animados e anime, quer ser o novo José Wilker e comentar o Oscar na TV.

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