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[Crítica] Game of Thrones Episódio 6×03: Oathbraker

postado por Pedro Lasneaux

AVISO: A ANÁLISE CONTÉM SPOILERS

Cá estamos nós mais uma vez para continuar a falar dessa sexta temporada. Digo, ab initio, que gostei do episódio e que a temporada está ganhando contornos mais movimentados que a passada pelo menos. As escolhas de roteiro parecem voltar a ser acertadas e as novas tramas que tem se apresentado chamam a atenção. O avanço foi significativo em dois episódios, especialmente se considerarmos uma premier que foi mais recapitulação que outra coisa.

Vamos aos núcleos

  • Muralha/Jon Snow

Após voltar da desolação e escuridão do nada do além vida, o bastardo mais celebrado da ficção mostrou o porque de tanto culto e carisma com a sua imagem. Não só matou todos os traidores que armaram o motim como largou seu manto negro, dizendo que a sua patrulha acabou. O que faz todo sentido e confirma várias teorias dos fãs de que o mesmo estaria livre de seu vinculo com a milenar instituição  com a sua morte e posterior ressureição, vez que o juramento fala claramente da quebra provocada pelo óbito. Antes desse momento, vale ressaltar, o mesmo fortaleceu seu vínculo com os selvagens, seus partidários, especialmente Edd, o novo Comandante; e Davos, que foi aquele que lhe ofereceu um braço amigo quando confrontado com as suas falhas como líder. Agora, as aspirações de Snow voltam-se, aparentemente, para fora desse núcleo, provavelmente Winterfell, onde outro Bastardo o espera.

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  • Winterfell/Bolton

Por falar nesse Bastardo, ficou bem claro a relação de amor e ódio que as outras casas menores do Norte tem com ele como senhor. Apesar de visto como um usurpador dos verdadeiros comandantes da região, ele ainda é quem tem o poder em mãos, quem pode resolver seus problemas, a exemplo dos selvagens que se tornam mais freqüentes pelas bandas do lado de cá da Muralha. A partir de seu diálogo com o Lorde Umber, tudo isso ficou bem claro, assim como que o embate entre ele e Jon é certo. Porém, o episodio não parou por ai. Umber, como forma de conquistar a confiança de seu senhor entregou em suas mãos o pequeno Rickon Stark (lembra dele? Sumiu no final da segunda temporada e nunca mais apareceu) e a cabeça de seu lobo gigante. Ramsay está com a faca e o queijo na mão, todos sabem que ele não é bobo. Portanto, podemos esperar o pior para o herdeiro Stark.

  • Bran

O que muitos fãs esperavam, aconteceu. Graças ao treinamento de Bran com o seu mestre, o Corvo de Mil Olhos, foi mostrada a famigerada batalha da Torre da Alegria que envolveu seu pai, Ned Stark, e o pai de seus amigos, Howland Reed; contra o cavaleiro da guarda real Arthur Dayne (no livro tinham mais dois grandes espadachins em sua companhia, também da guarda real, Gerold Hightower e Oswell Whent). Apesar de sabermos seu desfecho, não deixou de ser uma luta empolgante e visualmente impactante, algo que andou meio em falta na série (e depois do papelão que foi a luta de Dorne na temporada anterior). No fim, o desfecho não é tão obvio, já que quem mata o exímio esgrimista com uma facada nas costas não é Ned e sim, Reed. Todavia, a cena para por aí e não vemos o interior da torre, nao antes de Bran chamar por seu pai e esse, ao que parece, ter escutado, o que abre uma grande questão: Será que Bran pode mudar o passado? Segundo seu mestre, não, o passado já está escrito. Porém, trata-se da série que mais tem subvertido as expectativas dos telespectadores dos últimos tempos, a resposta não é tão simples, e, obviamente, não vem agora. Se a trama de Bran já enveredava por um belo caminho das visões do passado, agora ela se mostra a mais intrigante da temporada. Insta salientar que o casting de seu mestre sofreu uma troca e ele agora é interpretado por Max Von Sydow, uma verdadeira lenda viva do cinema. Tem duvidas que vem coisa boa por ai?

  • Meeren/Tyrion

Aqui Tyrion acabou tendo pouco destaque graças a um outro personagem que igualmente atiça a curiosidade dos espectadores: Varys. O Eunuco sempre esteve envolto em uma aura de mistério e nunca se sabe direito o que esperar dele. Suas reais intenções parecem claras, levar os Targaryen de volta ao trono, porém será que ele é uma pessoa digna de confiança? Méritos totais de seu intérprete, Conleth Hill, que brinca com essas penumbras que circundam o personagem. Nesse episódio pode ser testemunhado o seu modus operandi de espião e manipulador, em um momento de atuação realmente acima da média de Conleth. No fim, é revelado que os Filhos da Harpia, o grupo nemesis de Denerys, são financiados pelos mestres escravagistas das outras cidades. Tyrion se vê diante do momento de mostrar todo seu potencial como articulador político e se oferece para confrontar esses poderosos líderes. Para uma trama que estava praticamente estagnada, finalmente se monta terreno para um bom desenvolvimento.

  • Porto Real/Lannister

Por falar em Varys, seus passarinhos finalmente apareceram. São crianças aliciadas por ele com os melhores doces e quitutes do oriente. Fato que Quyburn, novo mestre dos segredos de Cersei percebeu e manteve, agora sob seu comando. Realmente a rima que fizeram entre os núcleos foi notável, merecendo o roteiro do episódio palmas nessa transição. Enfim,  a rede de espionagem dos Lannister ganha nova força. Porém os problemas da família estão longe de acabar. Mesmo que o tio de Cersei ocupe o papel de mão do rei, os Tyrell não largaram o osso e o conselho deliberativo do Reino. Capitaneados pela magistral Rainha dos Espinhos Olenna (a igualmente magistral Diana Rigg) e sua lingua afiada, os mesmos mostraram que estão no lado oposto nos jogos de poder e que não desejam de forma alguma colaborar. Já Tommen partiu de peito aberto para enfrentar a Igreja e o Pardal, e logo se viu preso na sua lábia. Mais uma vez mantendo um discurso calmo, tolerante e incisivo, o líder religioso seduziu o jovem rei com palavras belas sobre as pequenas manifestações dos Deuses, mostrando que eles são mais fortes do que o mesmo supunha, e de certa forma, convencendo o rei de que sua mãe e sua esposa devem ser julgadas perante a fé. Mais uma vez insta salientar a poderosa atuação de Jonathan Pryce, que constrói um personagem cada vez mais magnético em cena.

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  • Daenerys

Essa tem sido, de longe, a trama mais enfadonha e sem graça da série até agora. Daenerys, antes mãe dos dragões, bad-ass suprema de Essos, que entoava dracarys enquanto os dragões lançavam  suas chamas pelo ar, se tornou uma personagem de importância bem secundária ao longo das temporadas e parece que atingiu o seu fundo do poço. Reviver os Dothraki e seus costumes da distante primeira temporada é um erro quase infantil. Como a mesma Daenerys tenta argumentar para as demais viúvas quando é acusada de quebrar os costumes do povo bárbaro, o mundo girou a personagem está em outra, conquistou reinos e aprendeu muito em sua jornada solitária, não tem porque reviver esses recursos de trama tão antigos e que já foram explorados a exaustão. Não sei porque reviver isso agora. Espero que tenha algum bom motivo, por enquanto, não vislumbrei. Enfim, ela foi entregue as viúvas, mas por ter sido entregue depois de 5 temporadas, vai ser julgada por quebrar tradições que ninguém se importa (nem o Khal Drogo, que inclusive já virou Aquaman).

  • Braavos/Arya

Por fim e não menos importante temos a jovem Stark. Aqui o roteiro brilhantemente mostrou mais uma vez qualidade ao fazer uma montagem de seu treinamento ainda cega, mostrando que um bocado de tempo se passou entre o dia em que foi tirada das ruas por Jaqen até o momento que esse devolveu sua visão. Seus sentidos estão mais afiados do que nunca, e ela conseguiu mentir muito melhor. Por mais que tenha abraçado a sua ausência de personalidade, a série, e, principalmente a atuação sutil da talentosa Maisie Willians, nos mostram que ela não abandou o fogo da vingança e os seus objetivos, se dando ainda ao luxo de adicionar a sua companheira na casa do Preto e do Branco na sua lista de Valar Morghulis. Arya e toda a violência que a envolvem finalmente parecem direcionadas a seu propósito: a jovem está cada vez melhor na arte do assassinato, da dissimulação e da luta. Algo grande, sem dúvidas, está por vir.

Enfim, bom episódio, um pouco mais lento que o outro, mas mesmo assim, bem desenvolvido e que mostra que as coisas estão caminhando e tem grande potencial.

Lembrem-se, toda quarta tem analise com spoilers aqui no Quero Bacon, contamos com vocês nesse projeto até o décimo episódio!

Veja a crítica do último episódio aqui!

Veja a crítica do próximo episódio aqui!

Sobre o autor

Pedro Lasneaux

Crítico
Conhecido como Pedrao e Lax. Apaixonado por cinema, quadrinhos, filosofia, literatura,desenhos animados e anime, quer ser o novo José Wilker e comentar o Oscar na TV.

2 Comentários

  • Brilhante! Só achei que a trama da Arya não está muito boa… Não me anima. De resto, realmente parece estar tudo se encaminhando pra um grade clímax! Continue com as boas análises, Pedro!

    PS: “ab initio” você é advogado?

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