Análise Cinema Sem categoria

[Critica] Deadpool

postado por Pedro Lasneaux

Nonsense I com o Professor Ryan Reynolds

O nonsense sempre esteve atrelado as revistas de histórias em quadrinhos.  Afinal, contam causos de superseres, mutações genéticas, tramas intergalácticas, justiceiros fantasiados… é fantasia no seu grau mais puro. Porém, este foi elevado as alturas com Deadpool, criação de Rob Liefield e Fabian  Nicieza em 1991. Planejado para ser um vilão para os X-Men, logo caiu nas graças do público, foi transformado em um anti-herói e ganhou revista própria. A grande sacada dos criadores foi conceber  um personagem debochado, boca-suja, fanfarrão, totalmente diferente de vários personagens que já existiam no ramo dos super-herois. Porém, o melhor foi criar um personagem de quadrinhos que tem consciência que é um personagem de quadrinhos, em um exercício metalingüístico primoroso, que permitiu o abuso do absurdo, a quebra de quarta parede e, obviamente, situações cômicas de criatividade impar.

deadpool maior marvel

O apelo popular demandava uma adaptação as telonas. Porém, a primeira vez que o personagem foi transportado para as telas no filme solo do Wolverine em 2009 acabou sendo um desastre completo. O próprio ator Ryan Reynolds se empenhou para que um filme que trouxesse toda honra, glória e irreverência. O filme saiu em 2015, e a fidelidade é espantosa. A trama é simples, história de origem comum de heróis, nada de novo. Mas o personagem está impecável. Reynolds conseguiu transmitir tudo dos quadrinhos em sua atuação: os comentários cínicos de quebra de quarta parede, as brincadeiras, as referencias a cultura pop. Além disso consegue rir do próprio filme, do seu baixo orçamento, de sua história clichê e aponta a sua mensagem principal: não é um filme para ser levado a sério.

É uma adaptação certeira complementada com uma atuação genial, em que o doravante criticado Reynolds mostrou todo seu talento cômico. Irônico e extravagante, conduz o filme com um primor. As demais atuações também não ficam atrás: Ed Skrein faz o ótimo vilão Ajax; TJ Miller faz o amigo do herói Weasel, demonstrando talento cômico impar; Brianna Hildebrand é um achado com sua Negasonic Teenage Girl. Porém os maiores elogios ficam pra Stefan Kapicic, o melhor Colosso dos cinemas, com seu jeito bondoso e quase inocente, seu sotaque do Leste Europeu e também muito talento para a comédia.

Deadpool China Banido

O estreante Tim Miller conduziu bem essa fauna de atores de grande qualidade e, principalmente, deixou Reynolds solto para mostrar o que tem de melhor. Trabalhou com o baixo orçamento do filme do melhor jeito possível, concebendo cenas de ação empolgantes, nunca deixando a violência necessária do filme se tornar grotesca, mas encaixando-a a comédia. No entanto,  essa questão financeira atrapalhou bastante os efeitos e até mesmo o acabamento visual do filme. E como dito anteriormente, o roteiro não apresenta nada de novo. A grande graça, portanto, está na caracterização fidedigna no personagem, e na carga nonsense  que ele traz.  E espero que essa carga revolucione os filmes de herói tal qual o personagem fez com os quadrinhos. Afinal, quanto mais nonsense, maior a diversão.

Sobre o autor

Pedro Lasneaux

Crítico
Conhecido como Pedrao e Lax. Apaixonado por cinema, quadrinhos, filosofia, literatura,desenhos animados e anime, quer ser o novo José Wilker e comentar o Oscar na TV.

1 comentário

  • Boa critica, apesar de longa, enxergo dois posts aqui. Um poderia ter sido lançado antes do filme, como um conheça o deadpool e o outro a critica em si. Vi esse mesmo padrão no post sobre madoka magica.
    O caminho é esse, parabens!

Ei! Deixe seu comentário